FRENTE NEGRA BRASILEIRA

Ascensão, Estrutura e Legado de um Movimento Político (1931-1937)

Autores

Palavras-chave:

Frente Negra Brasileira, Pós-Abolição, Representatividade Negra, Movimento Negro, Racismo Estrutural

Resumo

A Frente Negra Brasileira (FNB), fundada em 1931 em São Paulo, constituiu-se como a mais expressiva organização negra da primeira metade do século XX no Brasil. Sua trajetória revela tanto a capacidade de mobilização da população afrodescendente quanto as contradições de um movimento que buscou, simultaneamente, afirmar a identidade negra e integrar-se ao projeto nacional. Estruturada em departamentos de educação, saúde, cultura e assistência social, a FNB ofereceu serviços concretos à comunidade, como o Liceu Palmares e atendimentos médicos gratuitos, além de difundir suas ideias por meio do jornal A Voz da Raça. Em 1936, transformou-se em partido político, tornando-se pioneira na disputa institucional por representatividade negra. Contudo, sua liderança centralizada, a aproximação com discursos autoritários e as tensões de classe e gênero revelaram limites internos. A dissolução da FNB em 1937, com o Estado Novo, interrompeu sua atuação formal, mas não apagou seu legado. Movimentos negros posteriores resgataram sua memória, reinterpretando-a como inspiração e advertência. Este artigo analisa a ascensão, a estrutura e o legado da FNB, articulando fontes primárias e bibliografia especializada, a fim de compreender sua relevância histórica e suas ambiguidades. Ao fazê-lo, contribui para o debate sobre cidadania, representatividade e memória no Brasil, ressaltando a importância de revisitar experiências do passado para iluminar os desafios contemporâneos da luta contra o racismo estrutural.

Referências

ALMEIDA, Uziel Ananias Sant’Ana. Contradições em Ébano: mobilização e representatividade negra no Pós-Abolição. 2025. 161 f. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de São João del-Rei, São João del-Rei, 2025.

BARBOSA, Márcio (org.). Frente Negra Brasileira: depoimentos. São Paulo: Quilombhoje, 1998.

CARVALHO, Gilmar Luiz de. A Imprensa Negra Paulistana entre 1915 e 1937. 2009. Dissertação (Mestrado em História Econômica) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

DOMINGUES, Petrônio. A nova abolição. São Paulo: Selo Negro, 2008.

FERRARA, Miriam Nicolau. A imprensa negra paulistana (1915/1963). Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 5, n. 10, p. 197-207, mar./ago. 1985.

HANCHARD, Michael George. Orpheus and Power: The Movimento Negro of Rio de Janeiro and São Paulo, Brazil, 1945-1988. Princeton: Princeton University Press, 2001.

LEITE, Gessé. O autoritarismo e a formação do Estado no Brasil. Revista de Sociologia e Política, Curitiba, v. 28, 2020.

MALATIAN, Teresa Maria. O Cavaleiro negro: Arlindo Veiga dos Santos e a Frente Negra Brasileira. São Paulo: Alameda, 2015.

MITCHELL, Michael. Movimentos sociais negros na Era Vargas. In: GOMES, Flávio; DOMINGUES, Petrônio (org.). Experiências da Emancipação. São Paulo: Selo Negro, 2011. p. 185-201.

MOURA, Clóvis. Sociologia do Negro Brasileiro. São Paulo: Perspectiva, 2019.

SKIDMORE, Thomas E. Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro (1870-1930). São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

Downloads

Publicado

23-12-2025

Como Citar

Sant’Ana, U. (2025). FRENTE NEGRA BRASILEIRA: Ascensão, Estrutura e Legado de um Movimento Político (1931-1937). Educação Sem Distância - Revista Eletrônica Da Faculdade Unyleya -ISNN Digital 2675-9993, 5(2). Recuperado de https://educacaosemdistancia.unyleya.edu.br/esd/article/view/244