DISSONÂNCIAS EM ÉBANO
O Embate Ideológico entre José Correia Leite e Arlindo Veiga dos Santos
Palavras-chave:
Movimento Negro, José Correia Leite, Arlindo Veiga dos Santos, Frente Negra Brasileira, Imprensa NegraResumo
Este artigo analisa o embate ideológico entre José Correia Leite e Arlindo Veiga dos Santos, duas das mais influentes lideranças do movimento negro paulistano nas décadas de 1920 e 1930. A partir da análise aprofundada de suas trajetórias biográficas, formações intelectuais e de suas produções na imprensa negra, investigamos as profundas divergências que os opuseram. De um lado, o coletivismo de Leite, um autodidata de origem operária que defendia um socialismo democrático, a autonomia das associações de base e a aliança com outros movimentos populares. De outro, o nacionalismo autoritário de Veiga dos Santos, intelectual de formação elitista que pregava a união em torno de um líder forte e de um projeto político conservador, de inspiração monárquica e fascista. O estudo demonstra como esse conflito, que teve como epicentro a fundação e os rumos da Frente Negra Brasileira (FNB) e culminou no rompimento definitivo de Leite com a organização, não foi uma mera disputa pessoal, mas o reflexo da pluralidade e das tensões internas do movimento negro. Este buscava construir seu caminho em meio à intensa polarização política da Era Vargas, apropriando-se e ressignificando as grandes correntes ideológicas do século XX – como o socialismo, o fascismo e o liberalismo – para formular respostas próprias à questão racial no Brasil. A pesquisa conclui que a riqueza do movimento negro reside também em sua capacidade de gerar debate e abrigar projetos distintos e, por vezes, antagônicos.
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