O CLARIM D'ALVORADA E A CONSTRUÇÃO DO ASSOCIATIVISMO NEGRO EM SÃO PAULO (1924-1932)
Palavras-chave:
Imprensa Negra, Associativismo, Pós-Abolição, Identidade Racial, ResistênciaResumo
O presente artigo analisa a trajetória do jornal O Clarim d’Alvorada (1924–1932) e sua contribuição para a construção do associativismo negro em São Paulo nas primeiras décadas do século XX. A partir de uma abordagem qualitativa, de caráter histórico e documental, foram examinadas edições preservadas do periódico, bem como bibliografia especializada e a dissertação Contradições em Ébano (Almeida, 2025). O estudo demonstra que o jornal desempenhou papel central na articulação de uma esfera pública alternativa, na qual a população negra pôde denunciar o racismo estrutural, valorizar sua herança cultural e fortalecer redes de solidariedade. Além de divulgar atividades de clubes e associações, O Clarim d’Alvorada funcionou como espaço de formação de lideranças e de pedagogia política, contribuindo para a construção de uma identidade racial positiva. A análise também evidencia as contradições internas do movimento, marcadas por tensões de classe, gênero e geração, que limitavam a plena inclusão de todos os segmentos da comunidade negra. Ainda assim, o periódico consolidou-se como instrumento de resistência e de memória coletiva, registrando as lutas e conquistas da população afrodescendente em um contexto de exclusão social e política. Ao recuperar a trajetória de O Clarim d’Alvorada, este artigo contribui para a valorização da imprensa negra como patrimônio histórico e cultural, ressaltando sua relevância para compreender tanto o passado quanto os desafios contemporâneos da luta por igualdade racial no Brasil.
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