POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA COMO MEIO DE INCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL
Palavras-chave:
educação superior, políticas públicas, educação a distância, inclusão social, tecnologia educacionalResumo
Este artigo analisa a trajetória das políticas públicas para a Educação a Distância (EAD) no Brasil, destacando sua relevância como instrumento de inclusão social. O problema central refere-se às reformas implementadas pelo Ministério da Educação em 2025 que, ao restringirem a oferta de cursos e ampliarem a obrigatoriedade de atividades presenciais, configuram um retrocesso que ameaça a democratização do acesso ao ensino superior e tende a excluir novamente grupos sociais vulneráveis. Parte-se das hipóteses de que a EAD foi decisiva para a inclusão educacional da população adulta, trabalhadora e de baixa renda, e de que as mudanças recentes caracterizam uma contrarreforma em desacordo com tendências internacionais. A investigação adota metodologia baseada em análise documental e dados quantitativos, utilizando informações do Censo da Educação Superior (INEP, 2021–2024) para evidenciar a expansão da modalidade e o perfil socioeconômico dos estudantes. O referencial teórico compreende a EAD como prática emancipatória e promotora de cidadania, ancorando-se no marco regulatório do SINAES (Lei nº 10.861/2004) e no debate sobre a “terceira revolução educacional”. Os resultados indicam que a EAD ampliou o acesso ao ensino superior e reforçou a democratização educacional no país.
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